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sábado, 18 de abril de 2009

Um Brasil de tolos e néscios

Achei este texto deveras interessante.
Vale à pena a leitura.
É de se pensar no que ele escreve.


Desprezo pela educação é estigma fatal ao Brasil
17/4/2009
O que todos sentiam quando analisavam a situação da ciência, da tecnologia e dos comportamentos obtusos com os quais metade da população brasileira se identifica acabou de ser confirmado: a falta de interesse faz 40% dos alunos largarem a escola. Ora, como vamos nos iludir com progresso, um trânsito melhor, com avanços em várias áreas da engenharia, medicina, das ciências exatas e da pesquisa se abominamos o estudo pelos motivos mais fúteis? Há 50 anos, nossos avós diziam que a maior herança que um pai e uma mãe podiam deixar para seus filhos era a educação. Tanto a curricular como a familiar. Havia valores e eles eram observados. Claro, provavelmente muitos estão torcendo o nariz para o texto, no pressuposto de que lá vem outra catilinária em favor dos "bons tempos". Saudosismo puro e que não leva a nada, pensam. No entanto, quando se citam os exemplos de algumas décadas passadas é porque eles funcionavam. Não resolviam os problemas do País, mas pelo menos não tínhamos tantos infanticídios, assassinatos, roubos e drogas arrasando pessoas e muitos lares, como temos visto em uma rotina monótona de situações as mais tristes possíveis envolvendo pais, mães e filhos. A pesquisa é um desalento para todos nós, adultos, mestres, políticos e empresários, que nos preocupamos com o futuro. Mais do que isso, com o Brasil que estaremos ou estamos, nesse dia e hora, passando aos nossos filhos e netos. Sem educação formal não há salvação.
Todos os países que deram saltos de qualidade material e social basearam suas conquistas na disseminação do ensino. O principal motivo da evasão escolar de adolescentes é a falta de interesse pelos estudos, segundo pesquisa coordenada pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas. São 40,3% dos jovens entre os 15 anos e 17 anos que abandonam a escola por falta de interesse, enquanto 27,1% saem por razões de trabalho e renda. Contrariando as frases de efeito, o blá-blá-blá de alguns, apenas 10,9% dos jovens deixaram de estudar por falta de acesso à escola, enquanto 21,7% largaram por motivos diversos, entre os quais a gravidez precoce. É um horror elevado ao quadrado. O que esperar de uma criança que nasce nessas condições? Temos patrícios sem estudo e sem futuro.
Por isso a marginalidade, a informalidade e os descaminhos são opções em alta em um mundo triste, inseguro e cansativo. Em 2008, 14,1% dos jovens entre 15 anos e 17 largaram os estudos. A região metropolitana de São Paulo tem 18,7%, a de Porto Alegre 18,8% e, entre os ocupados, 28% deixam os estudos. Isso aponta uma relação entre a demanda do mercado de trabalho e o abandono escolar. "O pior da evasão acontece quando uma família pobre está em um ambiente rico. O canto da sereia do mercado é mais forte", segundo Marcelo Neri. É muito preocupante esse largar dos estudos pelos jovens brasileiros. Logo eles, que são o futuro do País. O pior é que a ignorância é audaz, ela não consegue avaliar o quanto arrisca. A previsão do futuro, a base dessa pesquisa, nos torna infelizes no presente. Temos que inverter esse desinteresse estúpido pelo ensino. Um Brasil de tolos e néscios servirá de escada para os velhacos subirem ao poder e por eles ser oprimido. A ignorância nos escravizará ao obscurantismo, à falta de progresso e ao atraso tecnológico. Quem tem conhecimento tem o poder. Quem tem ciência e tecnologia tem o domínio do mundo. Vamos reverter a situação.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/noticias.aspx?pCodigoNoticia=12529&pCodigoArea=32

Um comentário:

Verner disse...

Realmente as pessoas até teem conciência, no meu ponto de vista, que a educação é a unica saída para uma sociedade justa, mas a mídia consumista leva os jovens a trocar seu tempo de estudo por prazeres imediatos. A leitura de um bom livro abre um leque inimaginável à nossa frente.