Algumas frases que eu anotei durante a conferência:
"Compaixão não significa sentir pena de alguém."
"Vamos amar a todos como as mães amam seus bebês." (Provérbio chinês)
Regra de ouro: "O que é odioso para ti, não faça para ninguém."
O resumo de sua conferência foi este:
"A
regra de ouro de Karen Armstrong
Por Sonia Montaño
A conferência de abertura da edição
2013 do Fronteiras
do Pensamento teve início com a saudação musical de Cristina Caprelli Gerling ao
piano. A religião na história da humanidade serviu como fio condutor para a
escritora britânica Karen Armstrong abordar como as grandes religiões têm em
comum a prática da compaixão. Sua visão teológica percebe o sofrimento como uma
força criadora e política, transversalmente partilhada pela nossa comum
condição mortal, que, por si só, já deveria nos permitir entender a dor do
próximo. “Hoje, mais do que nunca, o mundo precisa de compaixão”, afirmou.
A
busca de sentido
A escritora destacou como o conceito de
religião, a partir da visão acadêmica, é apontado como impossível de ser
definido e lembrou como, antes do século XVII, a religião permeava a totalidade
da vida.
Para Armstrong, quando nos tornamos
humanos, começamos a produzir religião, assim como arte, porque somos seres que
precisam de significados. “Se não encontramos significado para o que fazemos,
caímos em desespero. Queremos nos manter no senso de maravilha, expresso no
mundo europeu pela palavra ‘religio’, que significa reverência”, explicou.
Com a modernização, cheia de conflitos
e tensões, nossa visão de religião foi mudando, num processo penoso e lento.
Ela deixou de ser algo coletivo, que atravessava todos os planos da vida, para
transformar-se em algo privado, particular, interno. Entretanto, a essência da religião
tem a ver com a diminuição do ego e com criar uma sociedade justa, já que todos
os seres merecem respeito. O que nos manteria longe da iluminação – segundo
todas as religiões – é o ego. “A postura do corpo, no Islã, por exemplo, mostra
muito claramente essa rendição do ego.”
Lembrou, também, como a religião era um
ato político, não porque padres ou bispos queriam poder, e sim porque o
sofrimento do mundo é uma questão religiosa. A ideologia política, antes do
século XVII, era permeada pela religião. A Meca de Maomé passava por uma revolução
econômica, mas o lucro não era um objetivo que estava acima de todas as coisas.
“É errado, diz o Corão, construir uma fortuna privada. Deve-se construir uma
sociedade justa e decente”, insistiu.
Jesus também era político. Não era uma
simples figura caminhando pela Galileia, tinha fundamentos políticos: buscava
aliviar o sofrimento. O Sermão da Montanha diz “abençoados sejam os pobres”,
não porque eles sejam “sortudos”, e sim porque na situação da Roma Imperial a
exploração e a injustiça eram tais que as únicas pessoas livres de culpa eram
os pobres, os outros estavam de alguma forma implicados.
