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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Dez dicas para escrever artigos científicos


Um bom artigo deve conter uma (boa) idéia, mas não muitas boas idéias. É importante, portanto, que você tenha claro qual é sua melhor idéia. Caso você não tenha apenas uma (boa) idéia, mas sim várias, e queira escrever um artigo, é recomendável optar por uma das alternativas a seguir:
(i) hierarquizá-las, para deixar claro qual delas será tratada;
(ii) planejar a escrita de vários artigos, cada um sobre uma das suas idéias (nesse caso, é recomendável que você não os escreva simultaneamente, pois isso significa escolher alguma como prioritária, ou seja, significa voltar ao item precedente);
(iii) fundir as várias idéias em uma só, que seja consistente, sem ser excessivamente genérica.
Com clareza quanto à sua boa idéia e com os resultados finais ou parciais de sua pesquisa à mão, eis dez pontos importantes para compor um bom artigo.
1. Faça um roteiro antes
Antes de escrever, elabore um roteiro: tenha uma ideia clara do que você quer demonstrar, confirmar/desmentir, ilustrar, exemplificar, testar, comparar, recomendar etc. O começo, o meio e o fim do artigo devem estar claros para você antes de ele começar a ser escrito. Lembre-se: qualquer autor passa muito mais tempo revendo/reescrevendo (quase sempre mais de uma vez) os diferentes trechos de um texto, do que os escrevendo. Por isso, o roteiro ajuda a compor a primeira versão que, em seguida, será objeto de várias revisões. Não é por acaso que vigora a máxima de que o ofício de pesquisador requer 10% de inspiração e 90% de transpiração.
2. Use a fórmula SVP
Valorize a fórmula consagrada de escrita chamada SVP – “sujeito, verbo e predicado”. Escreva “O conselho discutiu a regra”. Não escreva “A regra foi discutida pelo conselho” ou “Foi discutida pelo conselho a regra”. Usar esta fórmula simples de escrita ajuda a tornar o texto claro e preciso, encurta as suas sentenças e diminui a possibilidade de cometer erros de concordância, entre outros.
3. Não especule
Evite generalidades, mas abuse dos dados. Generalidades são boas para conversa de mesa de bar. Cada afirmação do seu artigo deve ser capaz de ser respaldada por dados, achados e interpretações encontrados em artigos e textos de outros autores ou na sua própria pesquisa. Não importa tanto o que – ou quem – você usa para respaldar as suas afirmações, nem que você respalde explicitamente cada afirmação, mas elas têm que ter respaldo.
4. Cuidado com os “achismos”
“Eu acho”, “eu prefiro”, “o melhor é”, “deve ser”, “tem que ser”, “todo mundo sabe que”, “sempre foi assim”, “a tendência natural é” – nada disso dá respaldo a argumentos usados em textos científicos. Essas expressões indicam manifestações de normatividade, de opção pessoal ou de preferência. Evitar.
5. Trabalhe suas premissas
Seja lógico: após o A, vem o B, e não o C ou o D. Releia as suas afirmações e conclusões: veja se elas têm mesmo respaldo empírico e se decorrem logicamente da sua argumentação. É muito comum o uso de expressões como “dessa maneira”, “portanto”, “segue-se que”, “assim”, “conclui-se que” etc., sem que de fato haja relação lógica entre as conclusões e as frases que a precedem. Exemplo: A: “O céu amanheceu sem nuvens.” B: “Sem nuvens não há chuva.” C: “Portanto, não choverá nas próximas semanas.” A está certo; B está certo; C pode até estar certo, mas não decorre de A nem de B. C é uma afirmação ou conclusão que não decorre rigorosamente das afirmações anteriores. Rigorosamente, C é uma suposição, mais do que uma conclusão.
6. Evite sentenças longas
Mantenha as suas sentenças curtas. Para isso, a solução é simples: abuse dos pontos finais, pois eles são gratuitos, não estão ameaçados de extinção e organizam o seu texto. Sentenças longas exigem o uso excessivo de recursos como vírgulas, dois pontos, pontos e virgulas, travessões, parênteses etc. Eles são também gratuitos e abundantes, mas quando usados a granel não facilitam a leitura do seu texto. Sentenças longas devem ficar para os que têm um bom domínio da língua, como os detentores do prêmio Nobel (José Saramago) ou mestres da literatura (Machado de Assis). Mas, cuidado com Guimarães Rosa: o uso recorrente de neologismos funciona muito melhor na literatura do que em textos científicos.
7. Leia muito
Reserve tempo para sempre ler literatura (romances, contos, novelas, narrativas, poesias etc.), mesmo quando estiver redigindo a sua tese ou dissertação. Ler bons textos é fundamental para aprender a escrever. Procure textos que se relacionem com as suas deficiências de escrita. Por exemplo, os prolixos devem ler João Cabral de Melo Neto, e os muito secos podem escolher Vinicius de Moraes.
8. Não seja preguiçoso
Não use apud quando puder se referir diretamente a um autor/texto, pois este é um recurso excepcional. Leia e cite sempre o autor e o texto originais, a não ser que seja um texto antiquíssimo que existe apenas na Biblioteca Nacional de Paris ou que esteja escrito apenas em chinês arcaico ou em aramaico.
9. Utilize citações com boa credibilidade
Busque sempre usar como fontes os autores mais reconhecidos, as maiores autoridades no assunto. Não é porque você teve um bom professor que escreveu um artigo ou deu uma boa aula a respeito de um assunto que ele é a referência mundial nesse assunto. Da mesma forma, não se limite a ler e a citar os autores e textos usados pelos seus professores prediletos. Aprenda a usar ferramentas que lhe permitam identificar os autores mais importantes em cada área de saber, inclusive aqueles com quem você não necessariamente concorda. No entanto, os autores não devem ser usados ou citados apenas porque são reconhecidos, mas sim porque são bons e pertinentes à construção de seu texto.
10. Não deixe de publicar
Regra de ouro para publicar artigos: “quem não pesquisa, não escreve; quem não escreve, não submete; quem não submete, não é aceito; quem não é aceito, nunca será publicado; quem não é publicado permanece anônimo, e de nada vale um cientista ou intelectual anônimo.”

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Texto escrito por Marcel Bursztyn, José Augusto Drummond e Elimar Pinheiro Do Nascimento

Fonte: http://www.posgraduando.com/blog/dez-dicas-para-escrever-artigos-cientificos

sábado, 1 de dezembro de 2012

Uma grande verdade: Nossas Qualidades Atraem Hostilidade


Crescemos e nos formamos levando em consideração, basicamente, aquilo que ouvimos dos nossos pais e professores.
Por influência deles, somos levados a concluir que é conveniente sermos pessoas boas, esforçadas, trabalhadoras e gentis com os nossos colegas, uma vez que este é o caminho para sermos aceitos e queridos por eles.
Uma das mais desagradáveis surpresas que muitos de nós tiveram ao longo da adolescência reside no fato de que, exatamente por sermos portadores de tais qualidades, somos muito mais hostilizados que amados. A idéia de que o acúmulo de virtudes despertará o amor das pessoas parece lógica, de modo que quase todos se esforçam nesta direção.
Só não agem de modo legal aqueles que não conseguiram o desenvolvimento interior necessário para, por exemplo, controlar seus impulsos agressivos ou renunciar a determinados prazeres imediatos em favor de outros, maiores, colocados no futuro.
Assim, ao longo da vida adulta convivem dois tipos de pessoas: aqueles que conseguiram vencer estes obstáculos interiores e se tornaram criaturas melhores, e outros que não foram capazes de ultrapassar estas primeiras e fundamentais dificuldades – e que se esforçam ao máximo para disfarçar suas fraquezas.
Os primeiros são os que saíram vencedores no primeiro combate importante da vida, o de "domesticar" seus próprios impulsos destrutivos, e se transformaram em criaturas portadoras das propriedades humanas que somos unânimes em catalogar como virtudes.
O que acontece? Os perdedores se sentem incomodados e humilhados pelo fato de não possuírem igual capacidade de controle interior.
Este dado é muito importante, pois indica que, independentemente do que digam, os perdedores sabem perfeitamente quais são as virtudes e as apreciam; não aderem a elas porque isto implica em um esforço que não são capazes de fazer.
De todo modo, os perdedores – que adoram desfilar como "superiores" e indiferentes às questões de moral –, por se sentirem humilhados, também se sentem agredidos pela presença daquelas virtudes em uma outra pessoa que não neles próprios.
Comparam-se com o virtuoso, consideram-se inferiores a eles, sentem-se por baixo, irritados com a presença daquelas virtudes que adorariam possuir. A vaidade dos perdedores fica ferida e eles, como têm pouca competência para controlar a agressividade, saem atirando pedras.
É claro que tais pedradas têm de ser sutis para que não denunciem todos os passos do mecanismo da inveja: reação agressiva derivada de suposta ofensa na vaidade daquele que se sentiu inferiorizado por não ter as virtudes que lhes provocaram a admiração.
Sim, porque o invejoso admira muito o invejado; senão seria tudo totalmente sem sentido. Saber que o bandido inveja o mocinho é uma das razões da esperança que sempre tive no futuro da nossa espécie.
A agressividade sutil derivada da inveja nos derruba, entre outras razões, porque ela vem de pessoas que gostaríamos que nos amassem.
Afinal de contas, nos esforçamos tanto para conseguir os bons resultados justamente para ter essa recompensa. É difícil para um filho perceber que suas qualidades despertam em seu pai emoções contraditórias: por um lado, a admiração se transforma em inveja, de modo que o pai se ressente da boa evolução do filho.
O mesmo acontece entre mães e filhas, sendo inúmeras as exceções onde a admiração não dá origem à vertente invejosa.
As "agulhadas", as indiretas e as observações depreciativas e inoportunas próprias da inveja existem de modo muito intenso entre irmãos (eternos rivais), entre marido e mulher, assim como em todas as outras relações sociais e profissionais.
É praticamente impossível uma pessoa se destacar por virtudes ou competências especiais sem ser objeto da enorme carga negativa derivada da hostilidade invejosa.
O mais grave é que não fomos educados para isso, de modo que nos surpreendemos e ficamos chocados ao observarmos esse resultado. A decepção é tal que muitos se desequilibram quando atingem algum tipo de destaque, condição na qual são levados a um estado de solidão – o oposto do que pretendiam.
Uns se drogam e outros tratam de destruir rapidamente o que construíram, de modo a deixarem de ser objeto de inveja.
Tudo isso é, além de triste, inevitável, ao menos no estágio atual do nosso desenvolvimento emocional. Poderíamos ser ao menos alertados por uma educação mais sincera e sem ilusões.
Toda ilusão trará uma desilusão!
A maior parte das pessoas jamais imaginou, por exemplo, o volume de problemas e de decepções por que passam as moças mais belas, especialmente quando isso se associa a uma inteligência sofisticada e a uma formação moral requintada.
São portadoras daquelas virtudes que mais aparecem e encantam a todos. São, por isso mesmo, objeto de uma hostilidade inesperada e enorme. Ficam totalmente encurraladas e quase nunca sabem como sair da situação a não ser destruindo algumas de suas propriedades.

(By Flávio Gikovate, em http://bit.ly/11t8hfJ) 

domingo, 27 de maio de 2012

Gente chata! (Adorei, concordei e compartilhei)

Tem gente que gosta mesmo é de ouvir a própria voz. Você nem começou a contar uma história e a criatura já sabe tudo que aconteceu, já viveu aquele episódio e, vacilou, conhece o final. Mesmo que a história seja sua e, pela primeira vez, naquele momento, você esteja tendo coragem de falar sobre o assunto. Tem gente que não esconde que não tem o menor interesse em ouvir o outro. Sobre qualquer assunto tem opinião formada, sabe mais que todo mundo e arranja um jeito de discorrer sobre seu conhecimento profundo sobre o caso. Sobre qualquer caso. Se você experimentar mudar de assunto também não escapa dos “conhecimentos” dela.
E qualquer detalhe é motivo para ter que ouvir uma ladainha sem fim sobre alguém que ela conhece. E se você tentar falar sobre alguém que só você conhece também não adianta. Porque a pessoa vai conhecer um sócio, alguém da família, da cidade da pessoa, da profissão e vai explicar tudo para você. Porque só ela detém o conhecimento e a verdade. E, claro, tem sempre razão. Sobre a discussão com o síndico, sobre o remédio que seu médico receitou, sobre sua maneira de conduzir sua vida, sobre a educação dos seus filhos. Ela sabe mais, tem mais experiência, mesmo que nunca tenho morado em prédios, mesmo que não tenha filhos. É simplesmente insuportável. E, o pior é que, de repente, estou achando que a quantidade deste tipo de gente aumentou, mas aumentou num grau, que conversar, trocar ideias, coisas que eram deliciosas até outro dia mesmo, está a ponto de virar uma raridade. Eu não sei vocês, mas no meu dia a dia da vida real e no meu email a situação é assustadora. No Facebook, no Twitter, na carta dos leitores dos mais variados jornais, nos sites de notícias da Internet, todo mundo tem opinião formada sobre tudo.
E quase sempre é uma opinião avassaladora, definitiva, sem pudor algum de mostrar seu “conhecimento”. Chega a ser constrangedor. E quem escreve tem certeza absoluta sobre o caráter do outro, a verdade do outro, a história do outro. Não há tréguas. E este tipo de pessoa costuma achar que não tem defeitos, nem comete erros. Sim, porque este tipo de gente é só virtude. Defende os animais, trata de igual para igual os empregados da casa e os prestadores de serviço, paga os impostos em dia, só consome o necessário, nunca usa o cheque especial, respeita o patrimônio e o dinheiro públicos, descarta lixo da maneira correta, não usa sacolas de plástico no supermercado, sempre escova os dentes com a torneira fechada, jamais se esquece de um compromisso, sempre é pontual e também defende as únicas boas causas passíveis de defesa da sociedade contemporânea. Nunca, mas nunca mesmo, comete um deslize por menor que seja. No mundo virtual é mole! Quero encontrar estas criaturas na vida real!

Por Leda Nagle, em http://bit.ly/JwfDWu

sábado, 7 de abril de 2012

A onda Bolsonaro e o despertar do neonazismo

Via Carta Capital - artigo escrito por Clara Roman
 
Em 11 de maio de 2011, o Ceará eliminou o Flamengo na Copa do Brasil. No dia seguinte, a Safernet, organização que monitora crimes de ódio na rede, recebeu mais de cinco mil denúncias sobre perfis do Twitter que incitavam o ódio contra nordestinos na internet. Fenômeno similar foi observado pouco antes, em novembro de 2010, na eleição de Dilma Rousseff – que teve maior votação no Nordeste. Foram quase três mil denúncias de manifestações preconceituosas na rede social logo no dia seguinte.
 
Outras datas tiveram picos de denúncias: o dia seguinte ao lançamento da campanha #HomofobiaNão, no Twitter, seguida da #HomofobiaSim, em 19 de novembro de 2010.

Até então, alguns perfis detonadores, como a da estudante de direito Mayara Petruso, eram responsáveis tanto pela onda de ódio como pela indignação dos usuários ao preconceito veiculado, como reação, na rede. Em 2011, no entanto, quando algumas figuras públicas começaram a fazer declarações de ódio, racismo e homofobia explícitas, veiculadas pela mídia, os picos, ainda que menores, começaram a ser cada vez mais frequentes.

Entre todos os episódios, ninguém encarnou tão perfeitamente o fenômeno como o ex-militar Jair Bolsonaro. Deputado federal pelo PP do Rio, Bolsonaro tornou-se fenômeno midiático quando, em abril de 2011, fez declarações racistas/homofóbicas no programa CQC – Custe o que Custar, do rede Bandeirantes. Questionado pela cantora Preta Gil o que faria se seu fiho se apaixonasse por uma negra, Bolsonaro respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”. A repercussão deixou o parlamentar por algumas semanas em exposição intensa na mídia. Com isso, os neonazistas acordaram.

Thiago Tavares, presidente da Safernet, explica que, ao expor as opiniões publicamente – e não sofrer retaliações – Bolsonaro despertou a atividade das células neonazistas que atuam no Brasil. Até então, a internet servia apenas como canal de comunicação intergrupos. Encorajados, no entanto, os neonazistas começaram a usar o Twitter como campo de batalha, um lugar para expor suas ideias, praticar o ódio e angariar simpatizantes. “Acabam se sentindo legitimados e encorajados”, afirma ele.
Outro personagem público que contribuiu para o despertar dos nazistas nas redes foi Danilo Gentili, do mesmo programa em que Bolsonaro tornou-se astro. “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”, afirmou o “humorista” em sua conta do Twitter.

Diversas manifestações antissemitas, ainda que em menor quantidade do que os outros tipos de manifestação, inundaram a rede.
Hoje, o Brasil tem cerca de 300 células neonazistas. Segundo a antropológa Adriana Dias, mestre pela Unicamp e que estuda o tema há dez anos, cerca de 150 mil brasileiros baixam mensalmente mais de cem páginas com conteúdos nazistas. Desse total, 15 mil são líderes e coordenam as incitações de ódio na internet.


Na esteira desse despertar, a atuação cada vez mais intensa de quadrilhas neonazistas foi alvo do maior pico de denúncias do relatório da Safernet. Em 11 de dezembro de 2011, a organização recebu mais de 21 mil denúncias de 11 perfis do Twitter que incitavam ódio a imigrantes, negros, judeus, mulheres e homossexuais. A mesma quadrilha alimentava um site próprio com o nome falso de Silvio Koerich.

Em 22 de março, a Polícia Federal prendeu dois homens acusados de serem os cabeças do grupo:  Emerson Eduardo Rodrigues, 32 anos, e Marcello Valle Silveira Mello, 29.
Além das inúmeras incitações à violência, a PF identificou plano para um ataque em massa a estudantes de Ciências Sociais na Universidade de Brasília, com data marcada e estratégias de ação.

Com 70 mil denúncias e 500 mil arrecadados em conta por doações de parceiros, o site mobiliza muita gente. Com senhas compartilhadas, mesmo depois da prisão, novos textos continuam a ser postados e as contas no Twitter permanecem ativas. Ao todo, Tavares calcula que mais de uma centena de perfis falsos foram feitos pela quadrilha.
Segundo ele, a Operação Intolerância, que procura agora os outros integrantes do grupo, foi um marco ao priorizar crimes cibernéticos e fazer uma investigação profunda para identificar os culpados.

“O Brasil ainda está engatinhando na repressão a crimes de ódio”, conta ele, que vê uma resistência do Judiciário a condenar pessoas acusadas de racismo, crime tipificado na lei.
Nos últimos dez anos, o movimento neonazista cresceu assustadoramente, segundo a antropóloga Adriana Dias. O número de sites passou de oito mil a 32 mil. Já o crescimento da atividade em fóruns de discussão online cresceu 400%, impulsionados pelo aumento da comunicação possibilitado pela internet.

Quando pessoas no Brasil são presas, células internacionais auxiliam financeiramente para bancar advogados. “A participação brasileira em fóruns internacionais nazistas é muito intensa”, afirma Dias. “Uma pessoa se comunica com qualquer outra com tradutor a dois toques”.

 O perfil do neonazista: 
A pesquisa de Adriana Dias identificou o perfil do neonazista brasileiro. Confira:
- Desses 300 grupos, 90% se concentram em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
-São brancos, homens, jovens, a maioria com ensino superior (completo e incompleto)
- Para se inserir nas células, é necessário ritual de iniciação. Geralmente, espancar gratuitamente um negro ou judeu na rua, e que pode levar à morte.
- Depois de aceito, o nazista recebe senha para acessar manual, que lhe dirá, entre outras coisas, como reconhecer um útero branco – a mulher perfeita para procriação de um neonazista.
- Todos eles enfrentam dificuldades de socialização
- Muitos apresentam frustrações sexuais: o próprio Emerson Rodrigues afirmou em seus vários sites e perfis, que sua ex-namorada havia o deixado por um “negão”(sic).
- Muito se sentem ressentidos por supostamente terem perdido poder, com a entrada do PT, associado à esquerda, no governo – esse aspecto está ligado, sobretudo, ao preconceito contra nordestinos e à ascensão de uma nova classe média.
- São fundamentalistas religiosos – o que pode ajudar a confundir liberdade religiosa com crimes de ódio