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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Um relato inimaginável : a realidade nua e crua! #chuvarj


Nunca vi nada igual. Posse, Caleme e Campo Grande praticamente soterradas. Um rio caudaloso onde não havia rio, um campo de pedras onde antes ficava uma fileira de casas, dois metros de lama por quilômetros e quilômetros vale abaixo.

Olhando pra cima, uma geografia violenta: a montanha sucumbiu à chuva e partiu-se em dois. O barranco estatelou-se no chão do vale, e a encosta de cá agora é côncava.  Uma poeira fina e alaranjada recobre cada folha que restou.

Fincados no lodo: pedregulhos do tamanho de carros, carros virados de cabeça pra baixo, toras atravessando telhados. Muitas casas parecem intactas, só que a linha da água nas paredes está mais alta do que a das portas. Outras moradias ficaram escondidas sob camadas de lama tão pegajosa que, quando piso numa área molhada, é preciso duas pessoas para soltar a galocha.

No final do vale, o rio novo se despeja pela porta de um motel, atravessa o que ficou dos quartos e sai pelos fundos.  Fora o borbulho da água, há apenas um silêncio medonho, entrecortado pelo barulho dos helicópteros que sobrevoam o vale (e não pousam).

O caminho, a pé, é difícil, e nós o percorremos debaixo de um sol a pino, mas não temos escolha. Postes e árvores foram arrancados do solo e carregados feito gravetos pela enxurrada. Presos entre as raízes, os detalhes mais difíceis: um pote de condicionador, fotos de uma moça sorridente e muito grávida, uma fantasia do Homem-Aranha.  E, por todo o vale, aquele cheiro indescritível.  Devíamos ter trazido máscaras, mas estão em falta aqui na serra.

O número de mortos é, sem dúvida, muito maior do que as estimativas atuais. As escavadeiras ainda nem chegaram aos lugares por onde andamos: sobre a pista de lodo e entulho que a avalanche deitou no vale, sobre casas e ruas soterradas. Pompéias.

E a prefeitura, lá no centro da cidade? Apaixonada pela própria burocracia, exigindo cadastro de quem distribui e documento de quem recebe (mas muitos perderam tudo, inclusive carteira de identidade), bloqueando a Cruz Vermelha e atrapalhando a distribuição de donativos.  Um monopólio doentio. 

Desabrigados e órfãos ainda sobrevivem sem assistência adequada do estado, e o socorro foi praticamente terceirizado. As igrejas, as ONGs que surgiram ao longo da semana, os mações e as associações-- estão todos fazendo um belo trabalho, mas a coordenação entre os grupos ainda é fraca.  A sociedade civil pode preencher algumas lacunas deixadas pelo estado em tempos de emergência, mas a organização desses esforços depende de um centro eficaz e inteligente.  A assistência, onde ela existe, me pareceu fragmentada.

No Pedrão, onde (até ontem) eram acolhidos os desabrigados: milhares de pilhas de roupas sobre as arquibancadas. Tudo meticulosamente organizado. Do lado de fora, sob uma tenda, crianças arrebentadas por correntezas estão sendo cadastradas, cadastradas, cadastradas.  Homens vagam pelo estacionamento com o olhar perdido, mulheres esperam na porta do ginásio pedindo fraldas e camisetas.  Voluntários e funcionários alocam os mantimentos com afinco, mas têm pouca informação. Para onde estão sendo enviados os desabrigados?  "Não sabemos informar." E as famílias que não conseguem chegar aqui, recebem esta ajuda?  "Não sabemos informar."

Dentro do trailer no pátio, assistentes sociais e voluntários preenchem maços de fichas. Famílias atordoadas recitam as suas perdas. Os parentes viram nomes, as casas viram endereços, rotinas viram profissões. Vidas transformam-se em dados. Na parede, um cartaz feito a mão: "Todo voluntário deve cadastrar-se com a T___.". Perguntamos pela T___. "Não veio hoje." Veio ontem? "Também não." Outro cartaz: "Encaminhamento para abrigos." A mesa embaixo, desocupada. 

Na saída, uma senhora, aos prantos, vê que temos celular e nos pede para tentar localizar o filho desaparecido. Ela tira do bolso um papel dobrado, mas o número foi borrado pela chuva, e não conseguimos descifrar a seqüencia.

Vamos bater à porta do secretário. Ninguém é capaz de nos mostrar uma lista dos abrigos. Precisam de psicólogas?  Subimos a serra com seis! Todas prontas para atender as crianças órfãs, qualquer pessoa que precise de ajuda.  Ninguém da prefeitura fornece informações. "Vamos marcar reunião para amanhã, e depois avisamos." Algumas das voluntárias, impedidas de atender as vítimas e temendo a chuva forte que se aproxima, voltam pro Rio.

Por toda a cidade: caminhões do exército levam soldados sem pás nem máquinas adequadas. Moradores de máscara cirúrgica procuram corpos em zonas interditadas pela defesa civil. Alguns grupos de policiais vagam pela cidade, abanando as mãos, enquanto voluntários têm que driblar as autoridades para entregar água, soro e feijão de moto ou a pé.

A situação na serra é bem pior do que tinha imaginado. Já trabalhei em campos de refugiados e zonas pós-conflito. E repito: nunca vi tamanha destruição. Nem, devo acrescentar, tanto descaso por parte de um governo que dispõe dos recursos materiais e humanos necessários para, no mínimo, organizar os esforços e donativos oferecidos por um batalhão de voluntários.

Sou grata aos valentes amigos do Salve a Serra e Minhaajudasuacasa, que estão fazendo um trabalho tão bonito e tão desesperadamente necessário.

3 pensamentos avulsos:

- O que aconteceu não é surreal: é real. O lodo, as crianças, os abrigos estão lá.  Não é a cólera de deus, não é cenário de filme, não é campo de guerra, não é o Haiti.  É a serra fluminense, e parte dela foi destruída, e ainda está sofrendo.

- Se não canalizarmos a atual onda de solidariedade para exigir mudanças a longo prazo, ano que vem estaremos lá de novo, estarrecidos com novas perdas e com a nossa própria incapacidade (falta de vontade? apatia coletiva? amnésia seletiva?) de aprender com os erros do passado. Mais uma vez.

- Os sentimentos mais úteis no momento são: a fúria e a esperança. O resto é comodismo.

Adriana Erthal Abdenur

sábado, 15 de janeiro de 2011

Bilhões de abelhas estão morrendo - Por que é preciso salvá-las?


Caros amigos,




As abelhas estão morrendo em todo o mundo, colocando em perigo a nossa cadeia alimentar. Os cientistas culpam os agrotóxicos e quatro governos europeus já os proibiram. Se conseguirmos que os EUA e a União Europeia se unam à proibição, outros governos ao redor do mundo poderão seguir o exemplo e salvar da extinção milhares de abelhas. Assine a petição e encaminhe este apelo urgente:


Sign the petition
Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.


Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, algumas populações de abelhas já estão se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais - esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.


Não temos tempo a perder - o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:


https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl


As abelhas são vitais para a vida na Terra - a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, muitas das nossas frutas, legumes e óleos preferidos poderão desaparecer das prateleiras.


Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas - algumas espécies já estão extintas e semana passada ficamos sabendo que algumas espécies nos EUA chegaram a 4% da população normal. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas cada vez mais novos estudos independentes produzem fortes evidências que os culpados são os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.


Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é "altamente tóxico" e representa um "grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)".


Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos - apicultores e agricultores - querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora. Assine a petição abaixo e, em seguida, encaminhe este alerta:


https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl


Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.


Com esperança,


Alex, Alice, Iain, David e todos da Avaaz


Leia mais:


Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/09/22/italia-proibe-agrotoxicos-neonicotinoides-associados-a-morte-de-abelhas/


O desaparecimento das abelhas melíferas:
http://www.naturoverda.com.br/site/?p=180


Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/08/30/alemanha-proibe-oito-pesticidas-neonicotinoides-em-razao-da-morte-macica-de-abelhas/


Campos silenciosos:
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/campos_silenciosos_imprimir.html


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Foto clicada em dez/2010: meu pai se preparando para colher mel. Utiliza somente fumaça para espantá-las. Nunca usa agratóxicos em suas terras.

terça-feira, 13 de julho de 2010

É possível que crianças sejam más? Depois de ver isso...

Bem... eu acredito piamente que devemos ajudar a todo ser vivo, seja lá quem for.
Quem me conhece sabe que tenho tentado ajudar às pessoas desempregadas, divulgando vagas de emprego, gratuitamente, no blog www.ongdarute.com e os currículos no blog dos currículos.
Ainda escreverei mais sobre esse trabalho voluntário que faço há mais de 12 anos.
mas também sabem que nesses 12 anos tenho tentando ajudar a quem precisa, seja conseguindo doadores de sangue, doações para casa especiais, ajudando animais, etc...
Faço isso porque gosto de ver os outros bem. Puro prazer meu!

Agora quero falar sobre um email que recebi e que é muito verdadeiro. nâo é nenhuma corrente ou blá blá blá... Inclusive, uma amiga minha (Malu) já está ajudando nisso.

Vou tranascrever abaixo, o email original:

"Esta linda fêmea é de uma senhora de quase 80 anos que mora em uma vila (local ruim, muitos marginais) em Esteio-RS. Umas crianças (se é que se pode chamar quem faz isto de criança... qual educação... infelizmente prováveis futuros marginais) estocaram ela com uma taquara que perfurou a pele e saiu fazendo um rombo horrível no outro lado... em que ficaram aparentes os músculos.
 Esta fêmea esta assim desde o dia 08/07/10, dia em que essa senhora pediu ... implorou ajuda em todos os órgãos .. aos vizinhos e ninguém a ajudou.
Deram meu telefone para ela e, no sábado, fui até a casa dela e, depois de muito, consegui resgatar a Bela (estava com muito medo ... não deixava nem a dona encostar nela).
Amigos, Bela foi internada no sábado na clínica Bicho Point em Canoas-RS, onde permanece internada para fazer curativos e passar por um procedimento cirúrgico de reconstrução do tecido... o buraco é muito feio.
Preciso de ajuda para que a Bela possa ficar internada e depois irá para adoção. Ela ainda não está castrada.
 Consulta- R$ 30,00
 Diárias- R$ 10,00
 Curativos diários-R$ 12,00
 Cirurgia reparadora- R$ 125,00
 Medicação-em aberto
 Castração- R$ 50,00
Contas para ajuda:
Bradesco ag-0797 c/c-0069354-5
Caixa Económica Federal ag-0463 c/poupança-00156899-0 Barbara L. Colombo cpf-608.446.120-49
Bjs e obrigada
Barbara Colombo"

Lendo esse email e vendo as fotos, mas, acima de tudo, sabendo que é verdade que a cadelinha Bela está sofrendo desse jeito, devido à maldade humana... resolvi postar aqui, caso alguém queira ajudar.

Tá, gente, não quero ser piegas, mas acho que podemos pensar em fazer a diferença, podemos melhorar a vida de outrem com pequenos gestos.
E, se não nos calarmos com as atrocidades, com as barbáries que vemos as pessoas, respeitáveis seres humanos, cometendo ... acho que podemos ter esperança que o um dia o mundo será muito melhor e nós, seres humanos, seremos dignos de continuar vivendo.

Eu faço a minha parte e tu... fazes?

Então diga-me o que fizeste hoje em prol de ti mesmo(a) e em prol de outrem?

As sementes germinam... quiçá consigamos colher suculentos frutos!!