Publicidade

Mostrando postagens com marcador Pedro Rios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedro Rios. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Algumas palavras sobre os índios em MS, por Pedro Rios



"A verdade é que não existe um trabalho "jornalístico" a ser feito em MS. Os fatos são evidentes e acontecem há muito tempo. A "novidade" é a resistência. O trabalho que deve ser feito é político e social. E o aspecto mais grave desse trabalho é a quebra do preconceito. A minha função aqui, agora mais clara para mim, não é "dar informação em primeira mão". O material mais forte, mais relevante, não é o que relata perigo imediato ao qual os índios estão submetido (que é a rotina de um massacre histórico), mas é o que relata a ignorância histórica e o tratamento criminoso que nós, brasileiros, damos aos indígenas. Esse tabu, como menino do Rio de Janeiro, é que eu posso ajudar a destruir.

O problema dos índios não é a falta de inserção. A coisa é tão grave que eles estariam muito melhor se estivessem simplesmente apartados da sociedade, mas a inserção marginal, opressora, criminalizante que a nossa sociedade promove, com a tutela política deles sob a mão pesada de um estado fascista.

Talvez não seja a demanda mais urgente, do ponto de vista físico, mas sem dúvida alguma a demanda primordial dos índios é por respeito, por apreço, por um tratamento humano e igualitário. É um racismo muito violento e doloroso, ao qual eles estão submetidos a partir da formação das cidades no seu entorno, roubando a fartura da vida natural por um lado e negando direitos básicos de construção da cidadania inserida. O índio, tratado como mão de obra barata, subempregado, como escravo, alienado do poder de luta pela tutela do estado, e inserido na sociedade rural latifundiária, como bicho a ser explorado.

As crianças indígenas brincam de "polícia e índio". E a sensibilidade e espanto deles quando algum branco simplesmente os toma por iguais é de uma clareza comovente e assombrosa. As crianças índigenas se perguntam o que os "caraí" pensam deles, e não conseguem entender porque são tratados de forma tão violenta.

Acreditem, a despeito da imagem enganosa de que são meia dúzia de gatos-pingados espalhados em uma área enorme, são muitos, seres humanos sem nehuma identificação com uma cultura de consumo de massas, pacatos, cada vez mais confinados, marginalizados, e explorados pelo avanço de uma cultura destruidora. Que os trata pior que bicho, e destrói uma fonte de riqueza gigantesca que deveria formar parte relevante da nossa própria identidade.
Eu, que não me considero um cara alienado, estou chocado com o que eu presenciei do ponto de vista humano. O nazismo está aqui, e os índios são as vitimas do nosso holocausto particular."
 
 Fonte: http://on.fb.me/TT2idE
 

Pedro Rios está refugiado,devido a ameaças de morte

Declaração de Pedro Rios, após ser ameaçado de morte pelos pistoleiros de Mato Grosso do Sul, postada em seu Facebook.
"Hoje eu passei o dia conversando com diversas lideranças. Caldo está entornando em Passo Piraju. O MPF e a Funai PERDERAM o recurso, e o senhor ESMALTE BARBOSA CHAVES, um dos maiores assassinos de índio do Estado, declarou no jornal local, que o o senhor GINO FERREIRA, outro bandido assassino, mandou a SEPRIVA - que não é uma empresa de segurança privada, mas uma empresa de pistoleiros e matadores
, ficar 24 horas por dia na região do Passo Piraju.
A Vida do Cacique Carlito corre MUITO risco. E eu recebi ameaças de morte (e olha que só fiquei 5 dias na aldeia), por isso as lideranças chegaram a conclusão de que era melhor me tirar da aldeia, se em um primeiro momento eu inibi a ação dos pistoleiros, agora a minha presença estava incitando a violência. Dois dias atrás um cara tentou me levar de moto da aldeia e eu não fui. As coisas se agravaram e as lideranças ficaram com medo de que sumissem com o meu corpo durante a noite. Por isso fui obrigado a abandonar a aldeia e estou refugiado. Em breve poderei jogar toda a merda no ventilador e falar tudo que vários envolvidos na questão, entre lideranças e funcionários, querem falar e não pode"


Fonte: http://on.fb.me/W4Bsqs