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terça-feira, 11 de junho de 2013

Redes sociais e Educação: Manuel Castells dá sua opinião

Enviei uma pergunta ao Fronteiras Do Pensamento, para que fosse respondida pelo sociólogo espanhol, Manuel Castells.
Eis a pergunta e a resposta!

Pergunta:  É possível mudar o ensino como um todo e as instituições se tornarem "redes sociais de ensino e aprendizagem"? Afinal, todos esses jovens estão presentes nas redes sociais. Que estratégias acontecem nessas redes, que poderiam ser adotadas pelas instituições de ensino? Autora: Rute Vera Maria Favero

Manuel Castells (foto: Greg Salibian/Fronteiras do Pensamento)
Manuel Castells: As redes sociais não são algo à parte na vida dos jovens. Os jovens vivem nas redes sociais, nas redes familiares, nas redes pessoais. Quando minha geração desaparecer, todo mundo viverá nas redes sociais. Ou seja, no fundo, as novas formas de existência, que incluem... Eu sempre comparo a internet com a eletricidade. Na história, houve momentos em que apenas algumas pessoas tinham eletricidade. Mas, a eletricidade é fundamental para a sociedade industrial. Na nossa sociedade, a internet é a forma de comunicar, de existir, de fazer qualquer coisa.
Portanto, a questão é: os jovens, nas redes sociais, qual é a característica especial das redes sociais que favorece ou dificulta a expressão dos jovens? Eu diria que há uma conexão entre a cultura da autonomia, que é a cultura fundamental da sociedade atual e, principalmente, dos jovens, em relação às instituições e aos poderes da sociedade. A prática das redes sociais na internet que materializam essa cultura da autonomia. É o próprio meio dos jovens e, portanto, é também o meio de aprendizagem.
Um dos grandes problemas da educação é que há uma contradição entre a pedagogia e a organização do ensino – estabelecido historicamente através das formas verticais e burocráticas –, entre a cultura da autonomia, a capacidade de cultura digital do jovens... É totalmente contraditório. Mostraram os estudos feitos em diversos países: a razão do abandono escolar, da evasão escolar na escola secundária é porque os jovens se aborrecem na sala de aula. A sala de aula continua sendo feita em formas de comunicação que não são as dos jovens, que não são as desta sociedade. E isso não é um problema dos professores, é um problema do tipo de organização – vertical, tradicional.
Diria que o desenvolvimento da prática social dos jovens nas redes está reforçando sua autonomia e sua capacidade de redefinição cultural. No fundo, está levando ao  empoderamento dos jovens. Me parece irônico que, no país de Paulo Freire, se tenha esquecido a pedagogia da liberdade, a pedagogia do oprimido, que é a pedagogia básica.
Meu último comentário, aproveitando para passar uma informação para vocês... Vocês sabem que há estudos sérios do British Computer Society, que mostra uma correlação entre a internet e a felicidade. Arrá! Surpresa! Todos os meios de comunicação dizem que a internet é péssima, que é a fonte de todos os males... Não, há uma correlação entre o uso da internet e índices psicológicos de felicidade. Por quê? A correlação não quer dizer nada, mas o porquê é importante: a internet aumenta duas áreas fundamentais, a sociabilidade e o empoderamento. E quais são as duas variáveis mais importantes na determinação da felicidade das pessoas? A sociabilidade e o empoderamento.

Fonte: http://www.fronteiras.com/canalfronteiras/noticias/?16%2C63

A pergunta original está na página do facebook, neste link:
http://migre.me/eYwn1

sábado, 8 de junho de 2013

O Brasil e a questão Ambiental, por Marina Silva e Fernando Gabeira

A segunda conferência do Fronteiras do Pensamento, neste ano de 2013, foi com Marina Silva e Fernando Gabeira, em que debateram sobre "O Brasil e a questão Ambiental".
Começo sempre com algumas anotações que eu fiz durante a conferência, para,somente depois, postar o resumo enviado pelo Fronteiras do Pensamento a cada participante.
Gabeira:
- Em uma entrevista, na Dinamarca, Dilma disse o seguinte: "O meio ambiente é um obstáculo para o desenvolvimento". Diz ele que foi um ato-falho.
Em uma espécie de brincadeira,disse que no Brasil temos como ministro da energia, um Lobão, enquanto o Obama nomeia, para ministro, um prêmio Nobel de Física. (recebu muitos aplausos nesse momento).
Falou sobre mobilidade urbana, aquecimento global, transgênicos, direitos humanos, Geisel, Collor, FHC, Lula, Dilma, o "auge da revolução da Informática".
- Em Curitiba tem uma melhor comunicação com os moradores, que podem ser colaboradores e são georeferenciáveis ao aceitarem ser colaboradores.
(Como Gabeira falou mais do que os 20min previstos, Marina se mostrava impaciente com tal demora).
Ao concluir a sua fala, Gabeira diz, referindo-se ao cronômetro que marcava o tempo da fala: "Eu tenho a impressão que aquele relógio parou!".

Marina:
Falou sobre o mundo em crise, questões ambientais e políticas,  "Armagedon", temperatura, crise de valores, cosmovisão, política, ética, estética, energia solar, "atitude cínica e atitude clínica", mencionando Bauman.
- ...relação conosco, com o outro e formas de exist~encia (Bauman).
- Deve-se separar a ética da política, separar o que se diz do que se faz.... a saída a ser enfrentada por todos para enfrentar a crise civilizatória.
- Somos uma cultura do excesso.
-O homem saiu da idade da pedra não foi por falta de pedras. Agora temos de sair da era do petróleo, antes que acabe.

O resumo deste debate foi este (leia mais):

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O que é a religião?, por Karen Armstrong

A primeira conferência do Fronteiras do Pensamento, neste ano de 2013, foi a da escritora britânica, Karen Armstrong*.
Algumas frases que eu anotei durante a conferência:
"Compaixão não significa sentir pena de alguém."
"Vamos amar a todos como as mães amam seus bebês." (Provérbio chinês)
Regra de ouro: "O que é odioso para ti, não faça para ninguém."

 
O resumo de sua conferência foi este:
"A regra de ouro de Karen Armstrong 
Por Sonia Montaño

A conferência de abertura da edição 2013 do Fronteiras do Pensamento teve início com a saudação musical de Cristina Caprelli Gerling ao piano. A religião na história da humanidade serviu como fio condutor para a escritora britânica Karen Armstrong abordar como as grandes religiões têm em comum a prática da compaixão. Sua visão teológica percebe o sofrimento como uma força criadora e política, transversalmente partilhada pela nossa comum condição mortal, que, por si só, já deveria nos permitir entender a dor do próximo. “Hoje, mais do que nunca, o mundo precisa de compaixão”, afirmou.

A busca de sentido
A escritora destacou como o conceito de religião, a partir da visão acadêmica, é apontado como impossível de ser definido e lembrou como, antes do século XVII, a religião permeava a totalidade da vida.
Para Armstrong, quando nos tornamos humanos, começamos a produzir religião, assim como arte, porque somos seres que precisam de significados. “Se não encontramos significado para o que fazemos, caímos em desespero. Queremos nos manter no senso de maravilha, expresso no mundo europeu pela palavra ‘religio’, que significa reverência”, explicou.
Com a modernização, cheia de conflitos e tensões, nossa visão de religião foi mudando, num processo penoso e lento. Ela deixou de ser algo coletivo, que atravessava todos os planos da vida, para transformar-se em algo privado, particular, interno. Entretanto, a essência da religião tem a ver com a diminuição do ego e com criar uma sociedade justa, já que todos os seres merecem respeito. O que nos manteria longe da iluminação – segundo todas as religiões – é o ego. “A postura do corpo, no Islã, por exemplo, mostra muito claramente essa rendição do ego.”
Lembrou, também, como a religião era um ato político, não porque padres ou bispos queriam poder, e sim porque o sofrimento do mundo é uma questão religiosa. A ideologia política, antes do século XVII, era permeada pela religião. A Meca de Maomé passava por uma revolução econômica, mas o lucro não era um objetivo que estava acima de todas as coisas. “É errado, diz o Corão, construir uma fortuna privada. Deve-se construir uma sociedade justa e decente”, insistiu.
Jesus também era político. Não era uma simples figura caminhando pela Galileia, tinha fundamentos políticos: buscava aliviar o sofrimento. O Sermão da Montanha diz “abençoados sejam os pobres”, não porque eles sejam “sortudos”, e sim porque na situação da Roma Imperial a exploração e a injustiça eram tais que as únicas pessoas livres de culpa eram os pobres, os outros estavam de alguma forma implicados.

O Fronteiras do Pensamento em 2013 - O meu presente de aniversário

Bem...Alguns já sabem que sou fã das conferências trazidas pelo Fronteiras do Pensamento.
Sou tão fã que pedi, como presente de aniversário - aniversario em 24 de maio, um passaporte para poder assistir às dez conferências deste ano de 2013.
Para conseguir isso, eu criei uma vakinha e, no dia do meu aniversário a mesma foi encerrada, pelo meu caro amigo José de Abreu, que no Twitter é o @zehdeabreu.
Outros amigos queridos que participaram da Vakinha:
@cidcancer,
Além deles, outros queridos amigos contribuíram para a minha vakinha, não só $$$, mas
Gente, meu agradecimento ímpar pelo gesto de vocês.
divulgando-a também.
Obrigada por terem aceito esse meu gesto e por terem contribuído.
Tentarei compensá-los postando aqui um resumo de cada conferência.

Para que saibam mais sobre este projeto, colocarei aqui um pouco da história.
O Fronteiras do Pensamento foi concebido em 2006 pela Telos Empreendimentos Culturais, na cidade de Porto Alegre e, para sua primeira edição, em 2007, convidou 40 conferencistas.
O Fronteiras do Pensamento é um projeto cultural múltiplo que aposta na liberdade de expressão intelectual e na educação de qualidade como ferramentas para o desenvolvimento. Através de uma série anual de conferências, o Fronteiras abre espaço para o debate e a análise da contemporaneidade e das perspectivas para o futuro, apresentando pensadores, cientistas e líderes que são vanguardistas em suas áreas de pesquisa e pensamento.
Em 2013 as discussões ocorrerão em torno do seguinte tema:
O processo de redimensionamento global, que unificou a economia, promoveu a expansão da internet e vem integrando políticas e redes de informação, acarreta inúmeras contradições – ao passo que também fomenta a consideração de causas sociais e humanitárias globais, especialmente em função do significativo aumento da riqueza, simultâneo à progressiva desigualdade e às intolerâncias étnicas, culturais e religiosas. Agora, é a “periferia”, ou os chamados países em desenvolvimento – aí incluída a América Latina – que crescem mais rápido do que as tradicionais economias do Primeiro Mundo. Especialistas afirmam que ainda nesta década os Estados Unidos perderão o título de maior economia do planeta, condição ocupada pelo país durante todo o século XX.
Tendo em vista que somente o reconhecimento de causas socio-humanitárias não é suficiente para transformar o cenário no qual estamos inseridos, a edição 2013 do Fronteiras do Pensamento tem o objetivo de problematizar um dos caminhos que está sendo trilhado pelas civilizações contemporâneas: o da busca por uma filantropia global.

Em 2013, teremos os seguintes conferencistas:


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O real e o imaginário na literatura: Orhan Pamuk



Orhan Pamuk, escritor turco, é Prêmio Nobel de Literatura 2006 e membro honorário da Academia Americana de Letras e Artes.

Cursou três anos de arquitetura, queria ser pintor, mas abandonou o curso e a carreira, graduando-se em Jornalismo na Universidade de Istambul. Seu primeiro romance levou sete anos para ser concluído, mas, através do terceiro livro, O castelo branco, já recebeu o reconhecimento internacional, vendendo milhões de exemplares em mais de 50 diferentes idiomas. Em sua bibliografia destacam-se Neve, Istambul e Meu nome é vermelho.

Em 2005, ameaçado por grupos nacionalistas ao criticar o silêncio do país perante a morte de um milhão de armênios durante a Primeira Guerra e a morte de 30 mil curdos nas últimas décadas, Pamuk teve que deixar a Turquia. Ao retornar a Istambul, foi acusado pelo governo de ofender a identidade nacional, sendo absolvido apenas após diversas manifestações de escritores e organizações de defesa dos direitos humanos.

Foi eleito pela revista Prospect como um dos cem maiores intelectuais do mundo em 2005 e pela Time como uma das cem personalidades mais influentes da atualidade em 2006, além de homenageado com as honrarias francesas Le Prix Médicis étranger e Le Prix Méditerranée étranger.
(Via Fronteiras do Pensamento, por email)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Luiz Felipe Pondé: Seria o pessimismo mais inteligente?

Vida contemporânea, filosofia e psicanálise
Filósofo e psicanalista brasileiro, Luiz Felipe Pondé é mestre em História da Filosofia Contemporânea pela Universidade de São Paulo – USP, doutor em Filosofia pela Universidade de Paris e Ph.D. em Epistemologia pela Universidade de Tel Aviv.

Considerado um dos mais provocadores e interessantes pensadores brasileiros, Pondé retira a filosofia da sala de aula para debatê-la publicamente, sendo conhecido por sua linguagem e didática ao tratar de temas e autores complexos. Atualmente, é colunista semanal da Folha de S.Paulo e professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, na Fundação Armando Alvares Penteado – FAAP e na Universidade Federal de São Paulo – Unifesp.

Autor de obras que constam na lista dos livros mais vendidos no país, como O homem insuficiente, Crítica e profecia e Conhecimento na desgraça, Pondé, mesmo assim, se classifica como um autor para poucos, pois aborda assuntos que multidões não comportam: "A delicadeza, a sofisticação da alma, o amor ao detalhe e a vontade de entender não são atributos das multidões, e aqui reside grande parte de toda a miséria moderna, ser um mundo de grandes números, dedicado a muitos idiotas".


Por Fronteiras do Pensamento