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domingo, 5 de agosto de 2012

Homenagem a Asterix feita pela aviação francesa

Mesmo aqueles que não gostam de aviação, assistam!
Homenagem a Asterix feita pela aviação francesa. Eles são La Patrouillede France, a Esquadrilha da Fumaça da França.
Aqui, nos seus Mirage III E de exibição, fazem uma homenagem à genial criação de Goscinny & Uderzo.
O senhor que aparece no filme, desenhando é o próprio Uderzo. Goscinny faleceu, aos 51 anos, de enfarte.

Esportes espontâneos (bolita de gude...), por Luis Fernando Veríssimo

Não sei muita coisa a respeito de judô. Sempre me pareceu que uma luta de judô consiste em um tentando desarrumar o pijama do outro. Mas uma coisa me surpreendeu, vendo o judô das olimpíadas na TV: como judoca é emotivo.
Tem-se visto manifestações de sensibilidade em outras modalidades, claro. Todo mundo se emociona na vitória ou na derrota, na hora das medalhas e na hora dos hinos. Mas você imaginaria que judocas fossem pessoas duronas, que soubessem conter suas emoções. O simples fato de o puxa-puxa das suas lutas não desandar em brigas de rua, com pontapés e ofensas à mãe (pelo contrário, nada mais civilizado do que as formalidades entre os lutadores antes e depois das lutas), seria uma prova de controle absoluto. Mas não, judocas choram quando ganham e choram quando perdem. O que não deixa de ser muito simpático.
Sempre achei que as olimpíadas se tornariam mais simpáticas se incluíssem o que se poderia chamar de esportes espontâneos. Por exemplo: queda de braço e bolinha de gude. A incorporação destas modalidades populares favoreceria países sem tradição olímpica, que nunca competem nos esportes nobres, mas poderiam muito bem mandar uma delegação vencedora de jogadores de pauzinho (também, conhecido como, desculpe, porrinha).
Qualquer frequentador de bar brasileiro conhece o jogo de pega-bolacha, que consiste em empilhar bolachas de chope na borda da mesa, mandá-las para o alto com um golpe e tentar agarrá-las no ar. Duvido que o Brasil encontrasse adversário à sua altura numa competição de pega-bolacha.
Há esportes espontâneos com uma longa história que quem praticou em criança nunca esquece, como bater figurinha. Com alguns meses de treinamento, qualquer adulto pode recuperar sua habilidade em bater figurinha e ir para os Jogos.
Outras modalidades: embaixada com laranja ou qualquer outra coisa esférica; tiro ao alvo com bodoque; arremesso de invólucro de canudo soprando o canudo; par ou impar. Etc, etc.
E não vamos nem falar nos vários jogos de cartas, como o truco, nos quais nossas chances de ganhar o ouro seriam grandes. Talvez houvesse alguma dificuldade em acordar a delegação do pôquer para o desfile inaugural, e imbuir todo o mundo do espírito olímpico, mas fora isso...

 Fonte: http://glo.bo/PZzjTC

Qual a importância, REAL, que os governos dão aos seres humanos?

Quero que, por um instante, deixem de lado tudo o que vocês sempre pensaram em relação ao MST, partidos, etc... pensem só nas pessoas. Assistam isso até o fim...
Pensem em tudo que vem acontecendo por aí, que nós nem imaginamos... sim, se vocês estão lendo isso aqui, é porque estão em frente a um PC, com um tablet nas mãos...
Mas... lá fora, não! Não falo lá na Etiópia, Haiti.. falo aqui nas nossas vilas... Os humanos convivem com os ratos, moscas, esgoto a céu aberto, fezes, lixo, muito lixo espalhado por aí... lixo e pessoas convivendo... Opa! Pessoas? Ou será apenas o que sobrou do que deveria ser um ser vivo-humano?
Pergunto a vocês... alguém pode viver bem assim? Alguém pode ser feliz assim?
E vejam que ... ironia ...eles sorriem, eles ainda tem um fio de esperança naquele sorriso... nem eles sabem que têm ...mas está lá, bem no fundo de seus corações... se não fosse isso... haveria suicídio em massa. Não seria possível viver doutra forma!
Mas há também o outro lado... será que eles se dão conta de que vivem em tamanha miséria? Sabem como é o ser humano...para não sofrer tanto, se adaptam, vão se tornando parte do sistema... e nem sequer percebem o que são, como são, onde vivem... apenas vivem, ou melhor, respiram para não morrer.

Este vídeo é apenas um teaser para uma reportagem que será publicada amanhã, dia 06/08/2012.
Como anda a reforma agrária em São Gabriel?


Os repórteres Jefferson Pinheiro e André de Oliveira passaram dois meses acompanhando a realidade de diversos assentamentos no município, considerado como o "coração do latifúndio" do estado, onde 700 famílias foram assentadas em 2008, com a promessa de que aquele se tornaria um vibrante pólo de agricultura familiar.

A reportagem, realizada através do concurso de Microbolsas de Reportagem da Agência Pública, com patrocínio da Fundação Ford, estará no ar na segunda-feira, dia 6 de agosto, no site www.apublica.org

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Como se faz um campeão olímpico - nos bastidores da vida

"O trabalho mais difícil do mundo é o melhor trabalho do mundo".
Por trás de cada um existe uma mãe zelosa.

O melhor trabalho do mundo | P&G para os Jogos Olímpicos de London 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

sugestões para atravessar agosto – Caio Fernando Abreu


Para atravessar agosto é preciso, antes de tudo, paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro – e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah! Escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos – ou precauções-úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade…Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo ZAP): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu – sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques – tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas – coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.
Caio Fernando Abreu (6/8/1995 – para o jornal o estado de são paulo)

Ações que ajudam a transformar o mundo. I hope!


Saí do evento, sentindo-me muito "mexida", tendo a certeza de que são ações assim que fazem a mudança acontecer...
Futuros Possíveis mostrou ações de pessoas... pessoas comuns que, com ações pequenas, transformam o mundo. 
Eu acredito no ser humano... Sou otimista e tenho esperança de que um dia todos perceberão que o mundo será melhor, quando cada um fizer a sua parte, melhorando o seu dia a dia, melhorando a si próprio.
TEDxValedosVinhedos from MAZAH - Live Marketing on Vimeo.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Caio Blat desabafa sobre farsa na Globo e se "arrepende". Será??



Quando decidiu se tornar produtor cultural, o ator Caio Blat passou a enxergar a realidade que se esconde por trás da farsa da "gratuidade" das promoções culturais que assistimos na mídia. Ou seja: quando, por exemplo, você vê um ator sendo entrevistado no Jô Soares para promover um filme, saiba que por trás daquilo há um pesado jogo de interesses em que os donos da mídia embolsam milhões às custas de quem suou para produzir o filme. Importante salientar que, conforme deixa entender Blat por sua própria experiência, muitas vezes o ator entra de inocente no caso, ou seja, nem sabe que está ali por conta de um acordo feito entre o produtor e a mídia (rádio, TV etc.).

Isto vale para todos os outros meios, ou, produtos culturais: literatura, música, teatro etc. Enfim, isto é apenas uma faceta para que possamos enxergar como a mídia corporativa, nos moldes da cartelização que se encontra no Brasil, configura-se como o câncer da democracia e da diversidade cultural. Ou seja: se você é um músico, por exemplo, não há a mínima chance de fazer sucesso sem que seja por uma gravadora do esquema e com uma "assessoria de imprensa" que vá despejar milhões (o popular "jabá") na mídia para o seu produto fazer sucesso.

No caso deste desabafo do Caio Blat, ele destrincha como funciona o esquema a partir da experiência que teve com a Globo.

Após a divulgação desse vídeo, Caio Blat fez uma retratação.
Confira o que foi publicado a respeito, na UOL!
Caio Blat desculpou-se com a Globo por críticas e mandou retirar do ar o vídeo em que atacava a emissora
Caio Blat desculpou-se com a Globo por críticas e mandou retirar do ar o vídeo em que atacava a emissora
O ator Caio Blat nunca mais vai se esquecer do domingo, 6 de maio, em que foi a Suzano, município de cerca de 250 mil habitantes na região metropolitana de São Paulo, falar sobre a sua trajetória profissional a um grupo de jovens. Marcado pela informalidade, o encontro esquentou quando Blat, sem alterar muito a voz, disse:

"Nos últimos sete ou oito filmes que fiz, entrei também como produtor. Aí descobri como a coisa está sendo feita na distribuição. E é uma coisa que me deixou enojado, horrorizado. Eu ia sempre na Globo pra divulgar os filmes que estava fazendo. Ia no “Vídeo Show”, no programa do Serginho Groisman para falar do filme, mostrar o trailer e tal. E achava que isso era um trabalho natural de divulgação. Aí eu descobri que essas coisas são pagas. Que quando vou no programa do Jô Soares fazer uma entrevista em que ele mostra um trecho do filme isso é considerado uma ação de merchandising, e não jornalismo. A TV Globo faz uma ação de merchandising do filme e apresenta um custo, uma fatura, pra Globo Filmes pagar. Ela cobra dela mesmo."

Algumas poucas dezenas de pessoas participaram do encontro, realizado Teatro Municipal Dr. Armando de Ré, promovido pela prefeitura local. A acusação de que  entrevistas no programa do Jô são atividades pagas pela Globo Filmes não teve repercussão nenhuma até que, mais de dois meses depois, no dia 17 de julho, o vídeo com a palestra de Blat foi publicado no You Tube pela Secretaria de Cultura de Suzano.

O vídeo começou a ser visto, notas foram publicadas em blogs, o assunto chegou às redes sociais e a repercussão, naturalmente, acabou alcançando o próprio Blat. Surpreso com o impacto das próprias declarações, o ator tomou duas atitudes. Primeiro, na segunda-feira, 30, enviou uma longa carta à Globo, desculpando-se pelas declarações:
“Acabei avançando sobre temas dos quais não tinha conhecimento suficiente, misturei questões pertinentes e importantes com outras tantas generalizações, e acabei atingindo quem estava mais perto, ou seja, a Globo Filmes, parceira prioritária do cinema nacional, de forma injusta”.

Em segundo lugar, procurou a Prefeitura de Suzano para pedir a retirada do vídeo de circulação. Na carta que enviou à Globo, ele escreveu:
“A Secretária de Comunicação da Cidade de Suzano se recusou a fazê-lo de forma amigável, alegando que a repercussão de vídeo estava sendo boa para a Cidade. Pedi então, que meus advogados fizessem uma interpelação judicial e tomassem as medidas cabíveis para preservar minha imagem e das empresas onde trabalho.”

Um dia depois, nesta terça-feira (31) Suzano se rendeu. Por orientação jurídica, o vídeo foi retirado do ar. Procurada pelo UOL, a prefeitura informou:
“A Secretaria Municipal de Comunicação Social (Secom) filmou a palestra do ator Caio Blat e a divulgou em seu canal institucional no Youtube, como faz com todas as atividades públicas promovidas pela Prefeitura. Em nenhum momento houve exploração comercial da imagem do ator e, por solicitação dele, o vídeo foi retirado do ar. Vale salientar que não houve distorção ou qualquer montagem nas declarações do ator”.

Na carta enviada à Globo, Blat se diz arrependido e pede desculpas à emissora:
 “Resta então uma atitude minha em relação a vocês, para expressar meu arrependimento por ter levado esse assunto ao público, quando, devido ao longo relacionamento que temos e a longa lista de grandes trabalhos realizados em parceria, devia tê-los procurado pessoalmente para discutir quaisquer dúvidas que eu tivesse ou mesmo levar minhas críticas, quando pertinentes. Deixo aqui meu pedido pessoal de desculpas, e reafirmo meu compromisso com os projetos que temos em parceria para futuros lançamentos e meu reconhecimento pelo trabalho generoso da Globo Filmes na promoção do cinema brasileiro.”
Questionada pelo UOL sobre o teor das declarações iniciais de Blat, em Suzano, a Central Globo de Comunicação se limitou a enviar uma cópia da carta que, segundo informou, o ator tomou a iniciativa de mandar para a emissora.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A submissão da mulher está no olhar masculino. Artigo de Pierre Bourdieu

 
Inédito na Itália, o texto de Pierre Bourdieu do qual publicamos um trecho é um dos últimos escritos pelo sociólogo e filósofo francês, falecido há dez anos. Uma reflexão sobre a percepção feminina do próprio corpo como "corpo para o outro" em uma sociedade totalmente mercantilizada.

Ele foi publicado na última edição da revista Lettera Internazionale, totalmente dedicada à questão feminina. O texto foi publicado originalmente na revista Cahiers du Genre, 2002/2. O trecho foi republicado no jornal La Repubblica, 24-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto!

Há muitos trabalhos de antropologia comparada sobre a região mediterrânea que tendem a mostrar que a Cabília [região montanhosa do norte da Argélia], por razões históricas, funcionou como um lugar em que se preservou intacta uma espécie de inconsciência mediterrânea, aquele inconsciente rastreável tanto nos textos da Grécia antiga quanto nos da Grécia atual ou da Itália do Sul, mas também da Espanha ou, em geral, de todas as costas do Mediterrâneo. A Cabília conservou esse sistema ainda em funcionamento e, consequentemente, coloca diante dos nossos olhos o nosso próprio inconsciente cultural em matéria de masculinidade e de feminilidade. Isso se deve à constância das estruturas simbólicas sobre as quais se baseia a nossa representação da divisão do trabalho entre os sexos.

E se essa constância é atestada, coloca-se a questão das condições sociais que a tornam possível. Em outras palavras, o que deve haver de específico na lógica do simbólico da qual faz parte a representação da oposição masculino-feminino para que, além das mudanças econômicas, além das transformações tecnológicas, se possam captar semelhanças tão profundas entre estados tão diferentes da sociedade?

Se o domínio masculino pode se perpetuar, sem dúvida com alterações, mas menores do que se possa acreditar, apesar das mudanças tecnológicas e econômicas ocorridas, isso talvez tenha a ver com o fato de que a ordem simbólica, ou aquele que eu chamo de mercado dos bens simbólicos, constitui um âmbito relativamente autônomo com relação à ordem econômica e à ordem tecnológica.

Há uma lógica específica da economia dos bens simbólicos distinta da econômica, e essa lógica também pode funcionar em parte dentro da ordem mais estritamente econômica (e aqui eu poderia recordar um belo trabalho sobre as acompanhantes pagas que, no Japão, acompanham os homens às custas das grandes sociedades, trabalho que mostra como as burocracias modernas utilizam as estruturas mais tradicionais da divisão do trabalho entre os sexos para cumprir funções econômicas ultrarracionais).

A lógica específica da economia simbólica se perpetua, de fato, até mesmo nos âmbitos mais estreitamente econômicos, como o das empresas, e é observada principalmente em determinados universos, por exemplo o da produção cultural (não é por acaso que se trate de um dos campos mais feminilizados), da literatura, da arte, da televisão, da rádio ou o religioso (onde se encontram, e mais uma vez não por acaso, muitas formas de voluntariado feminino), e, finalmente, na ordem doméstica.

Também se deveria mostrar, mas isso também requer muito tempo e espaço, a lógica específica dessa economia e aquilo que faz com que ela se perpetue também a despeito de todas as necessidades econômicas nas sociedades mais permeadas pela lógica capitalista.

Mas, acima de tudo, é necessário mostrar que, na base da situação dominada da mulher e da sua perpetuação para além das diferenças temporais e espaciais, está o fato de que. nessa economia, a mulher é mais objeto do que sujeito. Devem ser lembradas, nesse ponto, as famosas análises de Lévi-Strauss sobre a troca de mulheres, reinterpretando-as de modo a poder nelas introduzir a dimensão política (penso no domínio que pressupõe a troca e que se realiza e se reproduz através dela).

Vou me deter por um instante sobre o papel passivo atribuído à mulher e que me parece se encontrar, ainda hoje, como fundamento da relação que as mulheres têm com o próprio corpo, uma relação que tem a ver com o fato de que o seu ser social é um ser-percebido, um “percipi”, um ser para o olhar e, se assim se pode dizer, um ser através do olhar, suscetível de ser utilizado, nesse título, como um capital simbólico.

A alienação simbólica à qual condenadas, visto que são destinadas a ser percebidas e a se perceber através das categorias dominantes, isto é, masculinas, se retraduz na própria experiência que as mulheres fazem do próprio corpo e do olhar dos outros que foi bem evidenciado e analisado por uma fenomenóloga norte-americana da qual, infelizmente, não terei o tempo para resumir as análises.

Pelo fato de eu temer muito ser mal entendido, vou tentar me explicar com um exemplo, remetendo-me a um belo artigo sobre as mulheres e o esporte. O artigo mostra que a prática intensiva de uma certa disciplina esportiva determina nas mulheres uma transformação da relação com o próprio corpo e lhes permite aceder a uma visão dele que se poderia definir como masculina; permitir-lhes, enfim, ter um corpo para si, em vez de serem um corpo para os outros, dá-lhes um corpo que é, em si mesmo, o próprio objetivo. O que, além disso, deixa emergir claramente o fato de que o corpo imposto em tempos normais é, portanto, um corpo-para-o-outro, um corpo habitado pelo olhar dos outros, um ser percebido.

A alienação ligada ao fato de ter um corpo visível e de se encontrar, portanto, sempre sob o olhar dos outros apresenta diversos graus: é ainda mais poderoso quanto mais se desce na hierarquia social, porque se tem mais oportunidades de ter um corpo pouco conforme aos cânones dominantes. E encontra o seu próprio limite justamente nas mulheres às quais a experiência do corpo como corpo para o outro se impõe com uma força particular por causa do papel que lhes é prescrito no mercado dos bens simbólicos, onde elas são objeto, ser percebido, capital simbólico, que devem gerir – e do qual são, de alguma maneira, as contabilistas – perante os homens.

A transformação da relação com o corpo através do esporte é acompanhada por uma transformação profunda das relações com os homens. As mulheres, nesse caso, deixam de parecer femininas, isto é, disponíveis, ao menos simbolicamente. A sua relação com o próprio corpo mudou a tal ponto que já não respondem mais às expectativas socialmente constituídas sobre o que é uma mulher. Sem dúvida, se poderiam fazer considerações semelhantes no que se refere à mudança da relação com o corpo relacionada às profissões intelectuais.

Uma última palavra para expressar uma saudade: eu recordei a existência de uma economia de bens simbólicos relativamente autônoma com relação às bases econômicas da sociedade – uma autonomia relativa, evidentemente –, mas eu não analisei sobre que se fundamenta tal autonomia e o modo pelo qual ela se radica na lógica da reprodução biológica e sobretudo social. Eu não mostrei como as novas tecnologias da reprodução biológica, por exemplo, podem contribuir para transformar a dicotomia produção/reprodução que é o fundamento da economia dos bens simbólicos. Ao longo desse caminho, eu poderia abordar o problema do nexo entre relações sociais entre os sexos e relações sociais entre as classes. Mas não posso fazer nada mais do que enunciar os títulos dos temas que eu gostaria de tratar e me deter.

Fonte: http://bit.ly/MK55Fv

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Porque as letras colorem um dia, dois dias...

PARABÉNS A TODOS OS ESCRITORES PELO DIA DO ESCRITOR!!
 


Um dia perguntaram ao escritor argentino Jorge Luís Borges: 
- O que você ensinou afinal?
Borges respondeu: 
-Eu não ensinei nada, se ensinei algo foi o amor a um livro, a um escritor, às vezes a uma simples frase que preparou o caminho.

sábado, 21 de julho de 2012

Blog da ONG da Rute atingiu UM MILHÃO de acessos

Num repente qualquer eu decido acessar o blog  - este blog - queria ver quais foram as últimas vagas postadas e quais os países que acessaram o blog hoje, dia 20 de julho de 2012.
À tarde havia percebido que havia muita gente de vários países (Irlanda, Rússia, EUA, Itália, França, Portugal, ... não lembro de todos), então fiquei curiosa.
Acesso o blog à meia-noite e eis que vejo o inesperado: o blog havia passado de UM MILHÃO  de acessos. Caramba!
Fiquei muito feliz... Eu nunca soube extamente quantas pessoas conseguiram emprego através do blog. Sei que foram várias. Gostaria muito de saber  isso... mas o que importa mesmo é ter feito a diferença para essas pessoas. Isso já me faz feliz e mostra que valeu a pena fazer este trabalho voluntário...iniciado há uns 16 anos
.Acho que estou sem palavras...tentando entender o real significado disso tudo. Venho fazendo tudo isso... incansávelmente...aí, de repente, olho e vejo algo ...acho q é algo grandioso. Por isso preciso registrar aqui este momento, que para mim é muito importante. Preciso aprender a admirar este trabalho!

Obrigada a todos que colaboraram para que este feito acontecesse!!!!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Os trogloditas do poder: a eles cabe tudo

Nos Estados Unidos, os políticos corruptos não estão protegidos por imunidade parlamentar. Um dos maiores erros que existe aqui no Brasil... imunidade para A, B, C... estabilidade para X, Y, Z... e assim cada um vai fazendo o que quer do jeito que quer...
Por que, quem assume, não muda isso, já que antes de entrar criticava? Porque, ao chegar lá, fica difícil dizer não às grandes chances que surgem... e, quem não dançar conforme a (mesma) música (de sempre) está fora... É uma lástima que não tenhamos força suficiente para mudar isso.  Conseguimos destituir um Presidente da República, através do impeachment, mas não conseguimos acabar com a corrupção, com a roubalheira, com as falcatruas que ocorrem em nosso país... principalmente aquelas praticadas pelos nosso políticos. E isso não ocorre somente nacionalmente; ocorre em nível estadual e municipal.
Quem pode mais, chora menos. Eis o ditado que vale aqui.
O que poderíamos fazer?
Como poderemos fazer valer a honestidade, a ética, a moral...que tanto se prega em casa...ou, ao menos, na dos meus pais, na dos meus avós ... será que isso já está fora de moda e o mundo está mudando para que nos tornemos uns trogloditas do poder?


Nos Estados Unidos, os políticos corruptos não estão protegidos por imunidade parlamentar que permite ficarem impunes de seus crimes, nos Estados Unidos político corrupto vai mesmo para a cadeia, e cumpre prisão efetiva e não domiciliária como é muito comum em Portugal e Brasil.

Pesquisa TIC Educação registra como escolas brasileiras usaram as tecnologias em 2011

Juliano Cappi, coordenador de pesquisa do CETIC.br, durante apresentação dos dados da TIC Educação 2011
Foto de Rafael Munduruca

Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) acaba de divulgar os números da segunda edição da pesquisa TIC Educação. O estudo mediu o uso das TIC (tecnologias de informação e comunicação) em 650 escolas, das quais 497 públicas e 153 particulares, de todo o Brasil.

Um dos dados mais importantes da pesquisa é que as atividades identificadas como mais frequentes nas salas de aulas são aquelas em que professores usam menos os recursos tecnológicos. “A gente percebe que quanto maior é a frequência da atividade, menor é a utilização do computador e internet. O que pode estar gerando isso? Quais as barreiras?”, questiona Juliano Cappi, coordenador de pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), a divisão de pesquisa do CGI.

A pesquisa mostra, por exemplo, que 55% dos docentes e 51% dos coordenadores pedagógicos das escolas públicas acreditam que o número de equipamentos por aluno limita o uso do computador e internet na escola. Outra barreira mencionada pelos docentes é a baixa velocidade na conexão: 52% deles declaram que este fator atrapalha muito o uso adequado das TIC no processo pedagógico.

Mesmo com dificuldades, o uso de internet pelos estudantes já é uma realidade: 82% fazem suas pesquisas para a escola por meio da rede.

“A escola tem um papel muito importante pra integrar as pessoas no uso da tecnologia. Uma vez que a internet já faz parte da vida social, é importante que a escola discuta a importância desse uso”, completa Cappi.

Metodologia e resultadosO Cetic-br utilizou uma metodologia que está sendo adotada em vários países, inclusive com um piloto sendo feito pela Unesco. Ela foi adaptada para a realidade brasileira. A seleção da amostragem foi feita com base em dados do INEP, Instituto que faz os levantamentos de dados oficiais da educação no Brasil. O Ministério da Educação apoiou o projeto, que teve também a participação de diversos especialistas, de áreas variadas, na sua formulação.

Sobre os resultados, o coordenador da pesquisa destaca que a expectativa é que esses dados sejam discutidos e colocados em pauta na discussão de políticas públicas, com a incorporação dessas ferramentas na educação. “Existe um desafio que é saber como usar a internet e como ela pode contribuir. Isso passa necessariamente pela educação”.
Conheça os principais pontos da pesquisa:

Escolas públicas

• Exercícios para prática do conteúdo exposto em sala de aula é a atividade promovida pelos professores com maior frequência: 77% a realizam todos os dias. Porém, é uma das situações em que eles menos utilizam as TIC: apenas 21%.

• 65% dos docentes usam novas tecnologias para ensinar os alunos a usar o computador e a internet, mas essa é a atividade menos frequente em sala de aula.

• Aulas expositivas e a interpretação de texto também têm baixos percentuais de uso das TIC: 24% e 16% respectivamente.

• 86% das escolas têm computadores somente nos laboratórios de informática e não nas salas de aula, o que pode limitar a integração das TIC no processo pedagógico.

• O laboratório de informática é o principal e mais frequente local de realização das atividades envolvendo o uso de computador e internet.

Escolas particulares

• De forma geral, avaliando as diversas variáveis da pesquisa, o uso de computador e internet é maior entre professores de escolas particulares.

• Nas aulas expositivas, 36% dos docentes utilizam as TIC. Em interpretação de texto, a diferença é de 10 pontos percentuais entre escolas privadas e públicas, com 26% e 16% respectivamente.

• Nas escolas particulares, o laboratório de informática também é o principal e mais frequente local de realização das atividades.• Aproximadamente metade dos professores - 48% - utilizam computador e Internet no laboratório de informática, sendo este o local mais frequente para realização das atividades com os alunos para 34% dos educadores.

• Os dados indicam ainda que 21% das escolas particulares possuem computadores instalados em sala de aula, proporção cinco vezes maior que os 4% das escolas públicas.

Veja a pequisa completa aqui.
O cenário na prática

Como a pesquisa busca retratar um cenário de maneira homogênea, não há como enxergar diferenças entre as regiões do país, por exemplo. “Imagina-se que as condições e o material que o professor tem para trabalhar são bem diversos em cada região, então o resultado acaba mascarando algumas situações, talvez porque a amostragem é pequena. Se pensarmos, por exemplo, que só no estado de São Paulo são cerca de 300 mil professores, é um universo muito variado”, avalia o professor universitário Robinson N. dos Santos, mestre em educação e jornalista especializado em TI.

“Uma comparação interessante é que o professor tem o hábito de utilizar internet em casa, mas não consegue utilizar esse recurso com a mesma intensidade para ensinar. É muito importante educar sobre como usar esse meio, é importante uma mediação, uma orientação para esse aluno que já usa a internet para fazer pesquisas. O estudo joga uma luz nessa constatação”, diz o professor.
 
por Angélica Perez
e http://bit.ly/NAKeGz 
 
 

O tempo muda as prioridades! (Humor - quase - negro!)


Recebi isto por email...achei engraçadinho...confesso, apesar de saber que de graça... se for real... não tem nenhuma.

JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO
Um grupo de amigos de 60 anos de idade discutia para escolher o restaurante onde iriam jantar. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque as GARÇONETES eram gostosas e usavam mini-saias e blusas muito decotadas.
Dez anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque a comida era muito boa e havia uma excelente carta de vinhos.
Dez anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque lá havia uma rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador....
Dez anos mais tarde, aos 90 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical.
Todos acharam que era uma grande idéia porque nunca tinham ido lá antes...

TA RINDO?
Tua vez vai chegar...
(tomara!... aos noventa? e com turma? que Bênção!)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Um golpe de novo tipo contra Lugo

 
Tarso Genro (*)

O que foi tentado contra Lula, na época do chamado mensalão –que por escassa margem de votos não teve o apoio da OAB Federal numa histórica decisão do seu Conselho ainda não revelada em todas as suas implicações políticas – foi conseguido plenamente contra o Presidente Lugo. E o foi num fulminante e sumário ritual, que não durou dois dias. Não se alegue, como justificativa para apoiar o golpe, que a destituição do Presidente Lugo foi feita “por maioria” democrática, pois a maioria exercida de forma ilegal também pode ser um atentado à democracia. É fácil dar um exemplo: “por maioria”, o Poder Legislativo paraguaio poderia legislar adotando a escravidão dos seus indígenas?
No Paraguai o Poder Legislativo na condição de Tribunal político atentou contra dois princípios básicos de qualquer democracia minimamente séria: o princípio da “ampla defesa” e o princípio do “devido processo legal”. É impossível um processo justo – mesmo de natureza política – que dispense um mínimo de provas. É impossível garantir o direito de defesa – mesmo num juízo político – sem que o réu tenha conhecimento pleno do crime ou da responsabilidade a partir da qual esteja sendo julgado. Tudo isso foi negado ao Presidente Lugo.
O que ocorreu no Paraguai foi um golpe de estado “novo tipo”, que apeou um governo legitimamente eleito através de uma conspiração de direita, dominante nas duas casas parlamentares. Estas jamais engoliram Lugo, assim como a elite privilegiada do nosso país jamais engoliu o Presidente Lula. Lá, eles tiveram sucesso porque o Presidente Lugo não tinha uma agremiação partidária sólida e estava isolado do sistema tradicional de poder, composto por partidos tradicionais que jamais se conformaram com a chegada à presidência de um bispo ligado aos movimentos sociais. A conspiração contra Lugo estava no Palácio, através do Vice-Presidente que agora “supreso” assume o governo, amparado nas lideranças parlamentares que certamente o “ajudarão” a governar dentro da democracia.
Aqui, eles não tiveram sucesso porque – a despeito das recomendações dos que sempre quiseram ver Lula isolado, para derrubá-lo ou destruí-lo politicamente – o nosso ex-Presidente soube fazer acordos com lideranças dos partidos fora do eixo da esquerda, para não ser colocado nas cordas. Seu isolamento, combinado com o uso político do”mensalão”, certamente terminaria em seu impedimento. Acresce-se que aqui no Brasil – sei isso por ciência própria pois me foi contado pelo próprio José Alencar- o nosso Vice presidente falecido foi procurado pelos golpistas “por dentro da lei” e lhes rejeitou duramente.
A tentativa de golpe contra o Presidente Chavez, a deposição de Lugo pelas “vias legais”, a rápida absorção do golpe “branco” em Honduras, a utilização do território colombiano para a instalação de bases militares estrangeiras, tem algum nexo de causalidade? Sem dúvida tem, pois esgotado o ciclo das ditaduras militares na América Latina, há uma mudança na hegemonia política do continente, inclusive com o surgimento de novos setores de classes, tanto no mundo do trabalho como no mundo empresarial. É o ciclo, portanto, da revolução democrática que, ou se aprofunda, ou se esgota. Este novos setores não mais se alinham, mecanicamente, às posições políticas tradicionais e não se submetem aos velhos padrões autoritários de dominação política.
Os antigos setores da direita autoritária, porém, incrustados nos partidos tradicionais da América latina e apoiados por parte da grande imprensa (que apoiaram as ditaduras militares e agora reduzem sua influência nos negócios do Estado) tentam recuperar sua antiga força, a qualquer custo. São estes setores políticos – amantes dos regimes autoritários – que estão embarcando neste golpismo “novo tipo”, saudosos da época em que os cidadãos comuns não tinham como fazer valer sua influência sobre as grandes decisões públicas.
É a revolução democrática se esgotando na América Latina? Ou é o início de um novo ciclo? A queda de Lugo, se consolidada, é um brutal alerta para todos os democratas do continente, seja qual for o seu matiz ideológico. Os vícios da república e da democracia são infinitamente menores dos que os vícios e as violências ocultas de qualquer ditadura.
Pela queda de Lugo, agradecem os que apostam num autoritarismo “constitucionalizado” na A.L., de caráter antipopular e pró-ALCA. Agradecem os torturadores que não terão seus crimes revelados, agradecem os que querem resolver as questões dos movimentos sociais pela repressão. Agradece, também, a guerrilha paraguaia, que agora terá chance de sair do isolamento a que tinha se submetido, ao desenvolver a luta armada contra um governo legítimo, consagrado pelas urnas.
(*) Governador do Rio Grande do Sul

Fonte: http://bit.ly/Kx1urk

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A gente se acostuma... Em tempos de #ArenaRio20 #Rio20


"A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma..."





                                                                                                Marina Colasanti

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Debates levam pauta social à Rio+20 - Conheça a ArenaRio20


País apresenta desenvolvimento sustentável com inclusão social


A Arena Socioambiental foi montada para apresentar as estratégias brasileiras bem sucedidas de combate à pobreza e às desigualdades sociais no contexto do desenvolvimento sustentável. O espaço de diálogo do governo brasileiro com a sociedade civil na Rio+20 está montada nos pilotis e jardins do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. A Arena será palco de exposições, atividades culturais e feira de produtos da sociobiodiversidade brasileira entre 16 e 22 de junho. Também abrigará dois grandes debates por dia, com transmissão ao vivo e interativa pela internet. O acesso é livre.
Durante o evento, o governo brasileiro vai reforçar a sua posição de que o desenvolvimento sustentável só é possível com inclusão social e combate à pobreza, articulando o tema aos debates sobre desenvolvimento econômico e conservação ambiental.
Vídeo - Pelo Youtube, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, convida todas as pessoas a participarem da Arena Socioambiental, pessoalmente ou pela internet. Um dos locais mais movimentados da Arena será o Espaço Encontros Globais, que terá dois debates diários, com transmissão ao vivo e interativa pela internet, sobre os desafios do desenvolvimento sustentável.
Entre os debates, o público poderá assistir a apresentações musicais representativas da nossa diversidade cultural e experimentar produtos baseados no uso sustentável dos recursos da biodiversidade brasileira, na Praça da Sociobiodiversidade e no Café+20.
A Arena é coordenada pelo MDS, com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Nela, participarão mais dez ministérios: Meio Ambiente; Desenvolvimento Agrário; Saúde; Educação; Justiça; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Comunicações; Previdência Social; Aquicultura e Pesca; e Integração Nacional. Também estarão presentes a Secretaria-Geral da Presidência da República e as secretarias de Direitos Humanos, Políticas para as Mulheres e Políticas para a Promoção da Igualdade Racial.
Produtos da sociobiodiversidade em destaque
Povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares terão seus produtos comercializados na Praça da Sociobiodiversidade. A expectativa é que 5 mil pessoas visitem a praça por dia para conhecer e comprar alimentos, artesanatos e cosméticos produzidos de forma sustentável por essas populações. Os empreendimentos que participarão da praça envolvem quase 14 mil famílias que trabalham com produção sustentável. “É um espaço para demonstrar a riqueza dos nossos biomas e a importância da sua conservação ambiental”, diz a assessora técnica da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do MDS, Hétel Santos.
Talentos do Brasil - Geléia de umbu e licuri da Caatinga, pequi, baru e fitocosméticos naturais do Cerrado, erva-mate, pinhão e artesanatos de ouricuri da Mata Atlântica, castanha-do-pará (chamada de castanha-do-brasil para exportação), cosméticos de murumuru e artesanato indígena da Amazônia são alguns dos produtos que poderão ser encontrados na praça. No local também serão comercializadas roupas e bolsas de taboa, além de brincos e pulseiras de tururi do programa Talentos do Brasil.
O Brasil tem aproximadamente 144 milhões de hectares de florestas de uso comunitário, onde vive uma população de cerca de 1,5 milhão de pessoas. “Apesar desses grupos já terem seus produtos no mercado, ainda temos pessoas das comunidades em situação de vulnerabilidade e extrema pobreza”, diz a diretora do Departamento de Extrativismo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudia Calorio.
Participe
Facebook: Arena Socioambiental
Twitter: @ArenaRio20
Instagram: arenasocioambiental
Flickr: Arena Socioambiental 
Blog: www.arenasocioambiental.org
Email: arenasocioambiental@gmail.com 

Veja o vídeo da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, clicando aqui

Fonte: http://bit.ly/LL4o0E


sábado, 9 de junho de 2012

Matsuri – Kitaro (Música) + Filmagens impressionantes: Disso, fez-se a perfeição



Vejam que extraordinário trabalho dos fotógrafos da BBC da National Geographic;  seus equipamentos e técnicas permitem essas filmagens impressionantes. A cena final, na qual a ursa caminha com seus filhotes  foi realizada a 2 km de distância.
Matsuri – que significa Festival, do álbum Kojiki composta pelo musico multi-instrumentista Kitaro (Masanori Takashi) que já levou para casa um Grammy na categoria New Age.


"Belíssimas paisagens em diferentes lugares do mundo com requintes de detalhes que parecem nos levar numa viagem, acompanhado de uma música japonesa que transmite força e relaxamento, ao mesmo tempo."

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Projeto Reca estará na @ArenaRIO20 - #Riomais20

Projeto Reca levará doces e licores feitos de frutos da floresta
Para o presidente da associação e coordenador do projeto Reca, Hamilton Condack, a Rio+20 é a vitrine ideal para mostrar o trabalho já reconhecido pelo compromisso com a preservação ambiental e organização social. O Reca levará à Rio+20 doces, licores e geleias produzidos a partir de frutos típicos da floresta, como o açaí e a castanha.

A participação do Reca no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) –e no PAA permite a consolidação do projeto e assegura o ganho para cerca de 200 famílias de forma direta, e para mais de 2 mil pessoas de forma indireta.

O projeto Reca nasceu em 1989, com um grupo de agricultores de várias partes do Brasil que foram assentados em uma demarcação do Incra, no antigo seringal Santa Clara. Na época, as terras eram demarcadas e entregues às famílias sem nenhum tipo de apoio. Os agricultores eram induzidos a derrubar a floresta para dar lugar às plantações.

Dada a necessidade, os agricultores se reuniram e começaram a discutir como fazer para sobreviver às dificuldades. Unindo os conhecimentos de organização e cooperação dos povos oriundos de outras áreas com os da região, começaram a elaborar um projeto para a implantação de sistemas agroflorestais (Saf's).

O Reca chega a Rio+20 como referência de projeto voltado ao desenvolvimento das comunidades locais, unindo preservação da floresta e comprometimento social. O projeto ganhou o prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) “Amazônia Viva: plantando e colhendo frutos para um mundo melhor”, em 2007.

Com 1.500 hectares de sistemas agroflorestais manejados por mais de 350 famílias de agricultores e seringueiros, o projeto de Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (Reca) é uma das mais bem-sucedidas experiências de produção sustentável de base familiar da Amazônia. O grupo participará da Praça da Sociobioviersidade, espaço da Arena Socioambiental dedicado à comercialização de produtos sustentáveis da biodiversidade brasileira. Acesse: www.projetoreca.com.br .

Fontes: http://on.fb.me/NPNOe2
e
http://bit.ly/MNuRfq

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Eterno Retorno (Nietzsche)


"Os homens não têm de fugir à vida como os pessimistas, mas como alegres convivas de um banquete que desejam suas taças novamente cheias, dirão à vida: uma vez mais”. 

  Nietzsche e seu Eterno Retorno

 (Copiei do mural da Karenina, minha filha)